Arquivo de agosto de 2006

Hiato

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Não era assim que eu queria dizer
nem da moldura inexistente
nem da opacidade dos gestos
a atestar o fracasso da verdade.

Nem era como eu poderia falar
precedendo interrogações desde o início
fugindo dissimulado de regras,
de réguas, de restos, de remendos.

Nem era sobre isso ou aquilo
nem vociferar preceitos
nem gerar exclamações
antes mesmo que o poema soprasse para o infinito.

Antes enraizar-me no vazio
e despertar arrebatado a desejar-te em meus braços.

Entrelinhas

terça-feira, 29 de agosto de 2006

www.picabia.com

Nossa pele é colorida para que nosso coração abrigue multiplicidades.
Nosso sexo tem pêlos para que nosso desejo possa se fazer cálido.
Nosso cotidiano comporta infortúnios para que nossa alma se revigore.

Recado

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Feitos contam menos que escolhas.

Voltando no tempo

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Como o povo da Beira Baixa de Portugal costuma cantar o amor…

A Padeirinha

Ó que lindos olhos
Tem a padeirinha

São mal empregados
Andar

Tributo a Apollinaire

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Céleres os dias como águas sob as pontes.
O mar, porém, coleciona
o rumor de meus passos
desde a Pont Mirabeau.

Escrita e desenho – I

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Uma expectativa formigante lambe meus olhos e me obriga a reinventar paisagens. Os dias me cortejam desassossegados entre o grafite e as palavras. Na memória, busco faminto a amplidão de tua voz e marco com intolerância a silhueta de horizontes vazios. Não peçam moderação a quem espera.

A Escrita

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Estamos em uma época de grande virada na história. Avanços em microeletrônica, processamento de informações e comunicações estão anunciando uma nova era, não apenas na tecnologia, mas em todas as áreas da vida — arte e cultura, relações humanas e educação, economia e estilo de vida, percepção e cosmologia. O computador pessoal mudou radicalmente nosso modo de pensar e utilizar a informação, como agimos e como interagimos. Até mesmo produtos relativamente simples como a secretária eletrônica, o videocassete e o forno de microondas alteraram nossa percepção do tempo, nossas expectativas e nossas vidas diárias. Produtos mais sofisticados como os telefones celulares, CDs, câmeras de vídeo portáteis e máquinas fotográficas digitais têm e continuarão tendo um impacto ainda mais profundo sobre o significado do ser humano.

Esta revolução é, para muitos, um motivo de preocupação. Existem benefícios óbvios, mas mudanças tão profundas também terão conseqüências imprevisíveis. Ao tentarmos entender esta “idade eletrônica”, o exemplo de uma geração anterior, que se confrontou com questões similares em tipo e magnitude, pode servir como guia. Há cerca de um século atrás, um grupo de invenções, incluindo a máquina de escrever, o automóvel, a luz elétrica e o fonógrafo, anunciavam a “idade mecânica”. Inúmeros pensadores — entre eles, Rudolf Steiner (1861-1925), John Ruskin (1819-1900) e William Morris (1834-1896) — estavam preocupados com os efeitos, a curto e longo prazo, desta revolução nas ferramentas e técnicas de produção.

Máquinas são capazes de replicar um produto com grande precisão, mas funcionam melhor com projetos baseados na linha reta, no ângulo reto e na simetria rígida. Linhas e ângulos retos conferem precisão a um produto, mas retiram uma qualidade dinâmica e viva. Para Steiner e para outros, confrontados com a qualidade fixa e rígida dos produtos feitos