A Escrita

Estamos em uma época de grande virada na história. Avanços em microeletrônica, processamento de informações e comunicações estão anunciando uma nova era, não apenas na tecnologia, mas em todas as áreas da vida — arte e cultura, relações humanas e educação, economia e estilo de vida, percepção e cosmologia. O computador pessoal mudou radicalmente nosso modo de pensar e utilizar a informação, como agimos e como interagimos. Até mesmo produtos relativamente simples como a secretária eletrônica, o videocassete e o forno de microondas alteraram nossa percepção do tempo, nossas expectativas e nossas vidas diárias. Produtos mais sofisticados como os telefones celulares, CDs, câmeras de vídeo portáteis e máquinas fotográficas digitais têm e continuarão tendo um impacto ainda mais profundo sobre o significado do ser humano.

Esta revolução é, para muitos, um motivo de preocupação. Existem benefícios óbvios, mas mudanças tão profundas também terão conseqüências imprevisíveis. Ao tentarmos entender esta “idade eletrônica”, o exemplo de uma geração anterior, que se confrontou com questões similares em tipo e magnitude, pode servir como guia. Há cerca de um século atrás, um grupo de invenções, incluindo a máquina de escrever, o automóvel, a luz elétrica e o fonógrafo, anunciavam a “idade mecânica”. Inúmeros pensadores — entre eles, Rudolf Steiner (1861-1925), John Ruskin (1819-1900) e William Morris (1834-1896) — estavam preocupados com os efeitos, a curto e longo prazo, desta revolução nas ferramentas e técnicas de produção.

Máquinas são capazes de replicar um produto com grande precisão, mas funcionam melhor com projetos baseados na linha reta, no ângulo reto e na simetria rígida. Linhas e ângulos retos conferem precisão a um produto, mas retiram uma qualidade dinâmica e viva. Para Steiner e para outros, confrontados com a qualidade fixa e rígida dos produtos feitos

7 comentários para “A Escrita”

  1. Hanah disse:

    Olá Eric, estive lendo o artigo e achei super interessante……no começo me lembrei de uma música da Cassia Eller – Queremos Saber – Que por acaso estava ouvindo agora a pouco, e depois de um texto que postei em um outro blog…
    Wabi sabi – a arte da imperfeição…
    se estiver interessado o link é esse…

    http://groups.msn.com/Armazen/arte1.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=472

    beijo
    beijão no Moacir

  2. Eric disse:

    Olá Hanah,

    chegou em boa hora seu comentário e o artigo sobre Wabi Sabi, obrigado! Não conheço o assunto, mas o texto publicado aqui também me fez lembrar disso. Me fez lembrar que artistas orientais têm a tradição de introduzir “erros” em seus trabalhos, numa reverência a D’us; pois só as criações de D’us podem ser perfeitas.

    Um beijo.

  3. jpt disse:

    no blog sem estrada acabo de ler uma citação de virginia woolf sobre a tecnologia da escrita – pode ser que interesse

  4. Eric disse:

    É, JPT,

    continuamos sem tempo para colocar os traços nos Ts. E mais, sem tempo de traçar letras com as mãos, sem tempo de digitar palavras completas. Quero dizer, ainda tem gente que pensa assim…

    Um abraço.

  5. Gabriela disse:

    Oi Eric! Muito bom esse texto. Estive lendo outro Steiner, o George, que no texto Uma Pós-Cultura, fala sobre a nossa falta de tempo para só ler, quietos, afastados das mazelas da vida cotidiana. E um outro da Hanna Arendt, que fala da crise na cultura e vai pelo mesmo caminho: sem tempo não há cultura, só consumo. Eles têm tudo a ver… Vou ver se faço uma versão curta de um texto meu sobre eles e publico.
    Beijo,
    Gabriela

  6. Elke disse:

    Oi Eric,
    penso que, mais do que querer diversidade , podemos acumular conhecimento através da reflexão de pensadores como Steiner.
    O cunsumismo temido por Steiner e outros, embotam nossos sentidos e nos tornamos vazios e doentes.
    Gostei muito da publicação do texto.
    Bjos
    Mama

  7. Mergulhado na matemática, tinha perdido o tempo de te visitar. Mas foi a matemática que me levou de volta a este mundo e ao mundo deste artigo que te agradeço. De facto, lembrei-me de um feliz natal, espantosamente simétrico, caligráfico – claro!

    Desencontrei-me com ele e queria usá-lo na geometria – http://geometrias.blogspot.com
    por exemplo.

    Aproveito para te abraçar.

    Arsélio