Hiato

Não era assim que eu queria dizer
nem da moldura inexistente
nem da opacidade dos gestos
a atestar o fracasso da verdade.

Nem era como eu poderia falar
precedendo interrogações desde o início
fugindo dissimulado de regras,
de réguas, de restos, de remendos.

Nem era sobre isso ou aquilo
nem vociferar preceitos
nem gerar exclamações
antes mesmo que o poema soprasse para o infinito.

Antes enraizar-me no vazio
e despertar arrebatado a desejar-te em meus braços.

Um comentário para “Hiato”

  1. Heleida disse:

    Para os meus olhos, uma bela poesia.
    Para meus ouvidos, uma harmoniosa melodia.