Arquivo de novembro de 2006

Somos todos Bebezões

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Bombardeados por regras tolas, conselhos “ditatoriais” e fofocas de celebridades esquecemos como ser adultos. É tempo de crescer, diz Michael Bywater.

Eu me imagino ser um adulto, como, presumivelmente, você. Você pensa que, por ter ultrapassado a puberdade e desenvolvido características sexuais secundárias, obtido qualificações e aberto conta num banco, ter se submetido ao escrutínio das leis anti-terrorismo e das leis anti-lavagem de dinheiro e ter aprendido a dirigir, conseguido um emprego e talvez uma esposa e, quem sabe, filhos, e certamente por pagar seus impostos, você pensa ser um adulto.

Por vezes, as coisas o atingem de maneira um pouco estranha. Causa estranheza, por exemplo, sair de uma aeronave e atingir o saguão do aeroporto Heathrow em Londres, e ver, pelo menos, 93 cartazes avisando-o de coisas que não fez ou que não lhe ocorreu fazer.

O fato básico é que você está sendo tratado como um bebê. Você, eu, todos nós estamos na fila de uma campanha de infantilização: nossos gostos, nossas respostas, nosso comportamento, nossos pensamentos pessoais, nossas decisões, nossos hábitos de consumo, nossas filosofias, nossas sensibilidades políticas.

Somos ensinados como pensar. Somos ensinados como fazer. Somos distraídos com cores e movimentos, protegidos, alimentados, nossas respostas são antecipadas e nossa autonomia debilitada por um conteúdo fino, rico, fortemente embasado.

Eis uma simples lista do que está implícito sobre as afirmações feitas sobre todos nós:

  • Somos incapazes de controlar nossos apetites;
  • Não podemos adiar gratificações;
  • Temos pouco sentido do eu, e o que temos é deformado;
  • Não temos uma flexibilidade interior;
  • Somos pré ou sub-letrados;
  • Somos egocêntricos;
  • Não temos habilidade para exercer autonomia responsável;
  • Exigimos constante supervisão e constante controle;
  • Somos potencialmente, senão efetivamente, violentos;
  • Não temos sensibilidades sociais além das tribais;
  • Não temos discernimento.

Ainda queremos concordar com isso? Ainda queremos ser bebezões?
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