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	<title>Babel &#187; Palavra</title>
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	<description>por Eric Boer Nielsen e Moacyr Mendes de Morais</description>
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		<title>Baldio</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2006 13:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas palavras, as de sempre, me ajudam a construir uma simples casa. Com disciplina, alinho cada estrofe, meço rimas uma a uma, diluo todos os versos e negocio métricas. Depois, na varanda, paro os relógios em companhia de chuvas miúdas e teias de indecifrável escrita.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas palavras, as de sempre, me ajudam a construir uma simples casa. Com disciplina, alinho cada estrofe, meço rimas uma a uma, diluo todos os versos e negocio métricas. Depois, na varanda, paro os relógios em companhia de chuvas miúdas e teias de indecifrável escrita.</p>
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		<title>Essencial</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2005 11:44:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carrego um outro em mim. Eu que não tenho mãos, exponho dele certezas de gestos brandos em constante exclamação diante de tudo. O outro em mim se desbota quando me recuso a sorrir frente aos mistérios dos homens e de suas falas. Carrego esse outro em mim. Ele me ensina a decifrar enigmas com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carrego um outro em mim. Eu que não tenho mãos, exponho dele certezas de gestos brandos em constante exclamação diante de tudo. O outro em mim se desbota quando me recuso a sorrir frente aos mistérios dos homens e de suas falas. Carrego esse outro em mim. Ele me ensina a decifrar enigmas com a leveza dos que insistem em afastar sombras do caminho. Eu faço dele suporte para as minhas reiteradas espirais de dúvidas. Embora eu não tenha mãos, o outro em mim me faz reconhecer a fugidia presença de mundos em cada palavra como espelhos antigos a desvendar o eterno. Sei-me instável em percebê-los, sei-me descuidado em reverenciá-los. O outro em mim trespassa-me os pensamentos e evoca as intenções das coisas e das palavras. E me acolhe e me sinaliza horizontes diáfanos e partilha sabedorias miúdas. O outro em mim habituou-se a me dizer: fica em paz desde sempre.</p>
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		<title>Escrever, escrita, escritor</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2005 15:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escritor é quem escreve palavras, eu as rabisco. Rabisco-as anônimas como pedaços de paisagens interiores. Rabisco letras e acentos gráficos até que o desenho simples se faça cenário provocante e, depois, contemplação. A cada rabisco, a cada gesto, as paisagens se aprumam para serem vistas, não lidas. Livres de ostentação e de pressa, os rabiscos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escritor é quem escreve palavras, eu as rabisco. Rabisco-as anônimas como pedaços de paisagens interiores. Rabisco letras e acentos gráficos até que o desenho simples se faça cenário provocante e, depois, contemplação. A cada rabisco, a cada gesto, as paisagens se aprumam para serem vistas, não lidas. Livres de ostentação e de pressa, os rabiscos pairam e apontam fatias de mim.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Arquivo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2005 05:28:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Busquei-te as mãos e aconcheguei solidões e mistérios. E espreitei palavras, as mais simples e pálidas, e suportei a dor. Para as feridas de ausências, tua voz se fazia bálsamo e, para mim, bastava. Assimilei regras, descartei papéis e eliminei a imensidão de gestos. Desta vez, o silêncio será pousada e alquimia para abreviar vazios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Busquei-te as mãos e aconcheguei solidões e mistérios. E espreitei palavras, as mais simples e pálidas, e suportei a dor. Para as feridas de ausências, tua voz se fazia bálsamo e, para mim, bastava. Assimilei regras, descartei papéis e eliminei a imensidão de gestos. Desta vez, o silêncio será pousada e alquimia para abreviar vazios e ampliar o tempo das colheitas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Previsível</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2005 12:33:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra]]></category>

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		<description><![CDATA[Dediquei-lhe palavras com finas gradações luminosas, puras e emocionadas, que reverberavam plenas até mesmo diante de sua lembrança. Minhas palavras silenciaram. São as marcas da época.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Dediquei-lhe palavras com finas gradações luminosas, puras e emocionadas, que reverberavam plenas até mesmo diante de sua lembrança. Minhas palavras silenciaram. São as marcas da época.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Amsterdam, Salônica, Ahmadabad, tanto faz</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2005 14:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra]]></category>

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		<description><![CDATA[(da série Monólogo interior)
Aprendi com silêncios e desprezo multidões. Apenas rompo auroras e alinho-me com as pedras: sem discursos, apenas ecos. Tanto faz. Ser ninguém, tropismo para o silêncio. Se acumulo aridez é por inércia natural e desejo íntimo de apenas ouvir-lhe a respiração, uma súbita alegria. Partilhar companhia é profetizar decepções. Desde o Mediterrâneo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(da série Monólogo interior)</em></p>
<p>Aprendi com silêncios e desprezo multidões. Apenas rompo auroras e alinho-me com as pedras: sem discursos, apenas ecos. Tanto faz. Ser ninguém, tropismo para o silêncio. Se acumulo aridez é por inércia natural e desejo íntimo de apenas ouvir-lhe a respiração, uma súbita alegria. Partilhar companhia é profetizar decepções. Desde o Mediterrâneo aprendi a fugir de reconhecimento: conhecer é sempre perigoso. Silêncios fortalecem. Palavras anemizam. A erudição é desconfortável. Na quietude tosca, tateio o solo e, sem etiquetas, organizo estratégias de conforto. Em meus olhos, repousam o sol e a lua. O fogo alimenta minha boca. Nos ouvidos acenam as direções do espaço e acolho ventanias, equilíbrios e atmosferas. Auroras conferem aromas. O sabor acre da solidão é apenas mais um sabor. Tanto faz. A essência da terra se exibe em minha aparência pétrea: transformações exigem riscos e suores. Eis a vida: tramas, urdiduras, padronagens, cores, véus, tecidos, mortalhas, o torvelinho devorador da teia de aranha. Aqueço-me no silêncio. Multidões vociferam rebeldias. Não tenho mãos e, por isso, reconheço a mentira e suas essências ocultas: teia, mira, entra, reta, tina, rima, menta, mate, mitra, tema, reina, trina, teima, neta, rena, time, meta, rema, trame, tira, tina, teimar, minta! Tanto faz. O tempo é convenção, a eternidade, consciência. Silêncio: leio, ecos, cone, lince, selo, néscio, íleo, sino&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Despertar</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2005 20:14:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ouvi a chuva, descobri harmonias e me fartei de tranqüilidades ao olhar seu brilho generoso e livre. Aos ecos e borbulhos preparo os olhos com a simplicidade de gestos e alfabetizo minhas mãos com palavras ditadas pela brisa.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvi a chuva, descobri harmonias e me fartei de tranqüilidades ao olhar seu brilho generoso e livre. Aos ecos e borbulhos preparo os olhos com a simplicidade de gestos e alfabetizo minhas mãos com palavras ditadas pela brisa.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Presença de prazer</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2005 20:07:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Convido palavras para celebrar instante de visível poesia.
Assomam desordenadas:
crianças à espera de reconhecimento, de mérito.
Tão frágeis, tão curiosas,
tão inquietas.
Num emaranhado de cipós, se alternam,
me prendem, se espalham belas e precárias.
E, vicejam qual anônimas floradas simples,
doces na matéria,
prazerosas no estar.
A escrita cheira a mato.
É nuvem de outros tempos,
de outras latitudes de mim.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Convido palavras para celebrar instante de visível poesia.<br />
Assomam desordenadas:<br />
crianças à espera de reconhecimento, de mérito.<br />
Tão frágeis, tão curiosas,<br />
tão inquietas.<br />
Num emaranhado de cipós, se alternam,<br />
me prendem, se espalham belas e precárias.<br />
E, vicejam qual anônimas floradas simples,<br />
doces na matéria,<br />
prazerosas no estar.<br />
A escrita cheira a mato.<br />
É nuvem de outros tempos,<br />
de outras latitudes de mim.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Anyada buena</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2005 13:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é a palavra
nem o violino
que flutua
parece outro tempo
que nasce
sem limites
infinito
mas não
é outra luz
a sustentar
ligeirezas
como este
poema.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é a palavra<br />
nem o violino<br />
que flutua<br />
parece outro tempo<br />
que nasce<br />
sem limites<br />
infinito<br />
mas não<br />
é outra luz<br />
a sustentar<br />
ligeirezas<br />
como este<br />
poema.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Receituário</title>
		<link>http://www.amalgamar.com.br/blog/2005/09/receituario/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2005 03:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavra]]></category>

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		<description><![CDATA[Incitar a fala
Excitar a escuta
Numa oficina de palavras, remover
as travas, acalmar as horas
de tensão dos dias.
Quero-as em repouso no meu ser
a clarear singelas
o mistério
dos minutos, dos segundos, dos suspiros
a indicar a porta de saída
para o o relógio da vida
a indicar a porta de entrada
para a vastidão dos sonhos
A fala incita
(discreta e breve)
A escuta excita
(escandalosa e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Incitar a fala<br />
Excitar a escuta<br />
Numa oficina de palavras, remover<br />
as travas, acalmar as horas<br />
de tensão dos dias.</p>
<p>Quero-as em repouso no meu ser<br />
a clarear singelas<br />
o mistério<br />
dos minutos, dos segundos, dos suspiros</p>
<p>a indicar a porta de saída<br />
para o o relógio da vida</p>
<p>a indicar a porta de entrada<br />
para a vastidão dos sonhos</p>
<p>A fala incita<br />
(discreta e breve)<br />
A escuta excita<br />
(escandalosa e longa)</p>
<p>A língua abolida, a atenção contente:<br />
para avistar paisagens eu coleciono palavras.</p>
]]></content:encoded>
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