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Fragmento – III

sábado, 22 de julho de 2006

Lancei-me ao mar e flutuei pequenino frente

Fragmento – II

sábado, 22 de julho de 2006

Na presença efêmera dos sonhos, sei-me rei e réu a imperar sobre vazios e a abdicar de desejos.

Fragmento – I

sábado, 22 de julho de 2006

A cada gesto descubro em tuas mãos o insondável de tantas vésperas de mim, de trilhas e alinhavos emudecidos, de contemplações transbordantes de silêncios. Eu que não sei de mim, insisto em reconhecer-me em tuas mãos. Nos arcos pairam segredo. No conjunto, beatitudes e inocências. Ardo embaraçado frente a tantos mistérios e desenho tua presença em minha memória. Teus gestos, contudo, esboçam um tempo fértil de tramas e urdiduras para além de todos nós.

Discipulado

sexta-feira, 21 de julho de 2006

A borboleta instala vitral na janela de meu quarto e um sol tímido me abraça por inteiro. Eu que desaprendi a ver cores e a não aceitar os limites de meu corpo agora faço companhia

Miniature silencieuse – IV

terça-feira, 18 de julho de 2006

Dei por mim a sentir a alma impaciente como véspera de desvairada tempestade. A casa flutuava em silêncios, em nudez desamparada, desértica, e o porão assombrado por imenso desassossego. Fechei os olhos e ninguém me vinha

Gosto pela vida

domingo, 16 de julho de 2006

Transcrevemos a seguir as delicadas palavras da amiga e jornalista Rose Campos, publicadas no site Guta Chaves:

O paladar renovado de uma mulher grávida revela de forma sem igual o sabor de viver

Dentre as muitas descobertas que a gravidez me proporcionou talvez a mais importante tenha sido uma apreensão mais ampla do sentido da vida. Acredito que toda mãe se surpreenda com o poder repentino de gerar dentro de si uma outra pessoa. Todo pai, eu imagino, deve regozijar-se com sua própria capacidade de semear esse fruto. E no papel materno minha maior preocupação, claro, foi — e continua sendo — com a qualidade desta nova vida.

O psicólogo Moacyr Morais, formado também em antropologia, me deu a grande dica: é preciso experimentar todos os sabores. Quanto mais, melhor. De tudo e sem preconceitos. Se possível, sem restrições. É uma forma sábia, ele acredita, de estimular o saber deste ser em formação. A palavra saber, nunca é demais lembrar, remete tanto ao conhecimento humano quanto aos sabores que a vida nos oferece. E parece não ser mera casualidade que comecemos a desenvolver o paladar ainda na fase intra-uterina. Um feto já começa a distinguir o amargo do doce e demonstra preferir este último.

Não só para defender sua opinião, mas para estimular a pesquisa e o debate sobre o assunto, Moacyr me sugeriu a leitura de “Os doze sentidos — e a metaforma da psique”, de Josef David Yaari (Hermes Editora). O autor argumenta sobre o item paladar que “saber é saborear. Saborear é o fundamento da sabedoria. Através do paladar, mergulhamos ainda mais na interioridade, na substancialidade das coisas. Ele é um farmacêutico que diz o que precisamos: doce, amargo, sal. O paladar permite suavidade e sutileza de percepção (‘bom gosto’). A ausência de seu cultivo gera rigidez, dureza e desinteresse pela vida. Para continuar a viver, reforçamos nossas armaduras e nos tornamos doentes. Perde-se, assim, o sabor e a sabedoria.” Trata-se, de fato, de um princípio bastante sério e importante. Idéias para se pensar. E se formos além podemos descobrir também o prazer de vivenciar tal achado. De preferência,

Acromia

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Até mesmo um álbum de fotos
alterna caleidoscópicos matizes
no folhear
distraído

Não sei o que acontece:

apenas o cinza irrompe
e célere vira fuligem
na certeza
da presença impossível.

Recorrente

sábado, 8 de julho de 2006

Como a inocente Chapeuzinho Vermelho, caminhava pela floresta da vida, levando pão e vinho sacramentais para a velha sábia e adoentada porção de sua própria alma. Na travessia, porém, afastou-se do caminho por força de hábitos antigos, a tentação dos mundos sombrios.

Memórias de Eisenach

sexta-feira, 7 de julho de 2006

O ferreiro se alojava num canto da praça e se desdobrava de amor pelo ferro obediente. Na neve, cinzelava a tradição, atropelava o silêncio e o meu olhar sobre a Turíngia. Um menino velho com força desde a raiz dos braços, gostando apenas de se tatuar com fogo. E, como menino, continuava no canto da praça.

Músicas de Júlio Kaplar

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Júlio Kaplar, além de ser o maestro húngaro predileto dos autores desse blog, é compositor, arranjador, letrista, violonista, pianista e cantor. Sueli Ogawa é cantora e diva. As composições do maestro, na voz dela, vocês podem ouvir aqui.

Menino e as Pipas

Música: Júlio Kaplar
Letra: Eric Boer Nielsen
Violão: Júlio Kaplar
Voz: Sueli Ogawa


Cheiro de baunilha no ar
Conchas do verão
Como quando se diz
Tudo vai passar
Pelo coração
Letras de giz
Sonhos de aniz
Voar como um dragão
Buscar calor na emoção…

Menino venha brincar
Com pipas passear
Correr, andar
Um castelo avistar
Menino vai brincar
Sair no mundo e dizer
Ouvir falar
O arauto do rei
Menino vai brincar
Belas imagens trazer
E o coração acender

Pipas coloridas no azul
Bolhas de sabão
Como quando se diz
Tudo vai fluir
Pelo coração
Eu quero sim
Só para mim
Depois deixar no chão
Outro calor, outra emoção…

Presente

Letra e música: Júlio Kaplar
Piano: Júlio Kaplar
Voz: Sueli Ogawa


Abrir uma caixinha nova
Estar em companhia tua
Ouvir uma historinha amena
Sentindo os dois pés na lua

Vivemos um total encanto
Perdão por ser assim sincero
Não vemos o passar do tempo
Que bom é ter você por perto

Marcados já estamos
Quem mais há de dizer
Bem sabes que te amamos
Prazer te conhecer

O presente é alegria
Emoção, vitalidade
Pra sentir todos os dias
Agradeço a amizade

Canção

Poema de Cecília Meireles
Música: Júlio Kaplar
Piano: Júlio Kaplar
Voz: Sueli Ogawa


Nunca eu tivera querido

Dizer palavras tão louca:

Bateu-me o vento na boca,

E depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra
Deixou ficar o sentido

O sentido está gravado
No rosto com que te miro,
Neste perdido suspiro
Que te segue alucinado,
No meu sorriso suspenso
Como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
Que o amor pusesse tão triste
Essa tristeza não viste,
E eu sei que ela se vê bem…
Só se aquele mesmo vento
Fechou teus olhos, também…