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	<title>Babel</title>
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	<description>por Eric Boer Nielsen e Moacyr Mendes de Morais</description>
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		<title>Os sete transtornos de personalidade capitais</title>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 20:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com a luxúria agora rotulada de &#8220;compulsão ao sexo&#8221; e gula virando &#8220;transtorno alimentar&#8221;, não é de se espantar que os católicos estejam incertos quanto aos sete pecados capitais.
Eles costumavam ser chamados de sete pecados capitais: luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e soberba. Eram capitais porque levavam à morte espiritual e, portanto, à condenação.
Agora, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Com a luxúria agora rotulada de &#8220;compulsão ao sexo&#8221; e gula virando &#8220;transtorno alimentar&#8221;, não é de se espantar que os católicos estejam incertos quanto aos sete pecados capitais.</strong></p>
<p>Eles costumavam ser chamados de sete pecados capitais: luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e soberba. Eram capitais porque levavam à morte espiritual e, portanto, à condenação.</p>
<p>Agora, alguns teólogos não estão certos de onde fixar a linha sobre os pecados, ou mesmo, de fato, se há uma linha a ser fixada. Em nosso mundo terapêutico sentimentalista, a idéia de um &#8220;pecado mortal&#8221; que condena o pecador ao Inferno se mostra demasiado fatalista, até mesmo irracional. Hoje, a noção de culpa pessoal, que servia de base para a idéia dos sete pecados capitais, parece existir apenas de uma forma caricaturada. A cultura Ocidental pode apenas compreender o ato de pecar como um sintoma de uma lamentável doença psicológica. Comportamentos já denunciados como pecaminosos são hoje discutidos através da linguagem da terapia ao invés da linguagem da moralidade. Os velhos pecados capitais tendem a ser vistos como transtornos de personalidade que requerem tratamento, ao invés de transgressões que merecem punição.<br />
<span id="more-830"></span></p>
<p>Num clima destes, surpreende que empresários da Igreja Católica queiram re-etiquetar o pecado, e tenham decidido remendar uma lista de supermercado de novos &#8220;nãos&#8221; para o consumidor do século XXI? Modernizadores na Igreja Católica acreditam ser mais fácil fazer as pessoas se sentirem culpadas sobre o impacto delas no meio ambiente do que sobre cometerem um dos sete pecados capitais. Pensam que instituições religiosas podem recuperar um pouco da sua credibilidade se se reinventarem como os promotores de uma virtude ecológica, mantendo controle de perto sobre os eco-pecados dos poluidores. O meio ambiente se destaca proeminentemente em uma nova lista de pecados modernos desenhada pelo Vaticano. De acordo com a autoridade do Vaticano Monsenhor Gianfranco Girotti, a poluição ambiental é um dos mais perigosos &#8220;novos pecados&#8221;, ao lado da manipulação genética, excesso de riqueza, tráfico de drogas, experimentações moralmente contestáveis, infligir pobreza às pessoas e violações dos direitos humanos.</p>
<p>Os pecados de Girotti ocupam um plano moral diferente do dos sete pecados capitais. Sua lista foi encontrada por acaso como parte de um exercício de relações públicas. A invenção de novos pecados em uma sessão de <em>brainstorming</em> revela muito a respeito da atitude oportunista da Igreja sobre questões doutrinais. Os pecados tradicionais eram parte de um universo moral que enfocava o relacionamento entre os seres humanos e Deus; a nova lista atualizada é uma declaração cultural sobre o que é &#8220;comportamento aceitável&#8221;.</p>
<p>A coisa mais surpreendente a respeito da nova lista de pecados é que ela reverte o relacionamento moral entre Igreja e sociedade. Historicamente, a missão da Igreja era prover ensinamentos que podiam oferecer orientação moral para a sociedade. Recentemente, porém, a Igreja foi forçada a tomar a defensiva &#8212; e agora, ao invés de converter as pessoas para a sua perspectiva moral, ela começou a absorver muitos dos valores seculares em moda em nossos tempos. É claro, a religião sempre foi adaptada às novas condições. Mas hoje não se adapta simplesmente; ela toma seu mote da imaginação secular ao invés de tomar do divino. Os novos pecados são bons exemplos de valores seculares que a Igreja cooptou num desesperado lance para se manter relevante.</p>
<p>De algum tempo para cá, a Igreja Católica e outras igrejas cristãs estiveram dolorosamente conscientes de quão difícil é para elas exercer autoridade moral. A Igreja freqüentemente parece incerta e defensiva a respeito de questões morais. Então, por exemplo, protestantes ameaçaram armar uma confusão durante a proposta visita papal para a Irlanda a não ser que o Papa Bento XVI concordasse em encontrar pessoas que foram sexualmente molestadas por padres. Aqui, a vítima de abuso, ao invés da autoridade papal, alega o direito à moral elevada. Em muitas partes do mundo ocidental, autoridades católicas foram forçadas a expulsar padres por manterem contato íntimo com crianças, em resposta à pressão e desconfiança públicas. Um poderoso senso de defensividade moral, combinado com uma consciência de que seus ensinamentos parecem não ter relação com o mundo moderno, dão mostras de que a Igreja acha difícil afirmar sua autoridade com qualquer convicção. Como resultado, muitas igrejas se sentem cada vez mais incomodadas em pregar os sete pecados capitais aos seus rebanhos.</p>
<p>A Igreja Católica parece acreditar que pode revitalizar seu relacionamento com seus fiéis e o público pregando então as virtudes da responsabilidade ambiental. Pelo que se fala, o Papa planeja usar seu primeiro discurso às Nações Unidas para advertir o mundo a respeito do aquecimento global e promover &#8220;salvar o planeta&#8221; como tarefa moral para todos os Católicos. O Papa rapidamente tentou se associar às causas verdes. E agora temos, do âmago do coração do Vaticano, a proposta de que o pecado em si seja intimamente ligado à responsabilidade e consciência ambientais.</p>
<p>No entanto, não é apenas o Vaticano que está buscando uma nova, moderna estrutura moral. Quase imediatamente após o Vaticano ter publicado sua nova lista de pecados modernos, os líderes da Igreja Batista Sulista dos Estados Unidos anunciaram que começarão a discutir a questão da mudança climática muito seriamente. Alguns líderes Batistas alegam que sua conversão ao ambientalismo é resultado de revelação divina. Na realidade, como Girotti, eles querem ter certeza de que continuarão conectados ao clima cultural de nossa época.</p>
<p>O fato de modernizadores do Vaticano e pastores Batistas Sulistas terem &#8220;visto a luz&#8221; nas causas verdes é uma evidência da influência extraordinária que o ambientalismo exerce sobre a cultura contemporânea. Numa época em que instituições tradicionais acham difícil se conectar com temas populares, o ambientalismo ainda é capaz de comunicar idéias a respeito da responsabilidade humana apelando para um senso de certo e errado. Além disso, seria errado ver o ambientalismo simplesmente empurrando o pecado tradicional de lado &#8212; a idéia de pecado, e a noção de responsabilidade moral que a sustenta, foi constantemente erodida e degradada durante um longo período de tempo.</p>
<p><strong>Esvaziando o pecado de sua carga moral</strong></p>
<p>Sociedades seculares sempre se sentiram moralmente desconfortáveis, com a idéia dos sete pecados capitais. O Iluminismo substituiu a noção de pecado, considerado uma ofensa contra Deus, com a idéia de crime: uma ofensa conta outras pessoas. Mas racionalistas seculares ainda compartilhavam com religiosos a crença de que indivíduos são responsáveis por suas ações incorretas. Desde o fim do século XX, porém, nos sentimos alienados não só de qualquer universo religioso, mas também da idéia de responsabilidade moral ou individual, e assim achamos difícil descrever aspectos do comportamento humano como &#8220;pecaminosos&#8221;. Hoje, parece que não há mais pecadores; existem apenas personalidades viciadas.</p>
<p>Considere a luxúria. Aqueles que já puderam ser rotulados desejosos são agora descritos como &#8220;compulsivos sexuais&#8221; necessitando de terapia. A gula foi transformada em compulsão alimentar: aparentemente, glutões não precisam mais se fartar; eles estão simplesmente sofrendo de um dos tantos transtornos alimentares. Alguns na indústria da compulsão insistem que a alimentação compulsiva é uma doença psicológica com uma provável causa biológica. Como alternativa, a gula é vista como uma doença que chamamos de obesidade.</p>
<p>A ira é, por alguns, considerada ser a mais poderosa compulsão emocional. Novas condições como a &#8220;violência no trânsito&#8221;, &#8220;fúria diante do computador&#8221;, &#8220;fúria consumista&#8221;, &#8220;torcidas enfurecidas&#8221; e &#8220;fúria no embarque de aeroportos&#8221; sugerem que a doença da ira pode afligir indivíduos em diversos ambientes. O <em>lobby</em> terapêutico alega que a solução para condição de raiva é suportar o estresse &#8212; ou terapia do controle da raiva. As chamadas compulsões a certas emoções freqüentemente recebem o rótulo médico de &#8220;transtorno do controle do impulso&#8221;.</p>
<p>Enquanto isso, avareza e inveja foram remodeladas como conseqüências inevitáveis de nossa sociedade consumista moderna, e são também diagnosticadas algumas vezes como transtornos do controle do impulso. Aparentemente, a nossa é uma sociedade compulsiva que compele indivíduos a serem invejosos uns dos outros. &#8220;Compulsão de gastar&#8221;, &#8220;compulsão de comprar&#8221;, &#8220;compulsão de jogar&#8221; e &#8220;<em>affluenza</em>&#8221; &#8212; uma obsessiva e invejosa vontade de ter o que os outros têm &#8211;: todas são representadas como transtornos comparáveis ao alcoolismo e à drogadição no seu impacto danoso no paciente.</p>
<p>A preguiça também foi medicalizada. A criação de condições como a síndrome de fadiga crônica convida as pessoas a criar significado para a lassidão através de um rótulo médico. O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade fornece uma explicação multiproveitosa do por que algumas pessoas são relutantes em focar e se concentrar. E hoje, a preguiça parece não necessariamente ser uma condição totalmente negativa. Algumas formas de preguiça são celebradas como antídotos para nossa cultura supertrabalhora, esgotada pelo estresse e enlouquecida pelo consumismo. O trabalho duro é freqüentemente descrito como um empreendimento arriscado hoje em dia; aparentemente você corre o risco de se tornar <em>workaholic</em> se levar o seu emprego muito a sério. A noção de que o trabalho nos adoece promoveu o endossamento positivo da preguiça: na França, um livro chamado <em>Bonjour Paresse</em> (Bom dia preguiça) se tornou um <em>bestseller</em> em 2004, vendendo mais de 35.000 exemplares nas suas poucas primeiras semanas de lançamento.</p>
<p>E finalmente chegamos ao pecado que a Igreja já considerou ser o mais capital de todos: orgulho. De todos os velhos pecados morais, o orgulho é o único que foi completamente reabilitado como uma coisa boa. É por isso que o orgulho nunca é diagnosticado como um transtorno. Hoje em dia, virtualmente todo problema social e psicológico torna culpada a baixa auto estima. A solução para o baixo desempenho educacional, gravidez na adolescência, anorexia, crime ou desabrigamento é aparentemente levantar a auto-estima da vítima. No nosso mundo individualista, a sociedade continuamente incita as pessoas a se levar a sério demais, a se orgulhar de tudo que fazem e tudo que são, não importa quão mínimas ou acidentais essas coisas possam ser. Longe de ser um pecado, o orgulho se tornou uma das virtudes primárias da nossa era.</p>
<p>Nas décadas recentes, os pecados capitais foram transformados em aflições pessoais. É por isso que a invenção do &#8220;eco-pecado&#8221; representa um desenvolvimento tão notável na sociedade moderna. É a sua bem sucedida reabilitação da idéia da culpa humana que torna o eco-pecado tão atraente para o Vaticano e outras religiões. No entanto, a eco-espiritualidade não pode compensar a perda da autoridade moral tradicional, já que não é fundamentada numa apreciação da função singular do ser humano e na responsabilidade moral de desenvolver qualidades humanas. Ao contrário, esta é uma forma de pecado fundamentalmente misantrópica e direcionada contra o exercício livre e pleno da imaginação humana. De fato, ao castigar o &#8220;impacto humano&#8221; no planeta, o eco-pecado questiona a capacidade única das pessoas de atuar como agentes moralmente responsáveis e de moldar o mundo ao redor delas. Tal visão moral é ainda mais confusa que a teologia da Idade das Trevas. Pelo menos eles tinham Céu e Inferno; tudo o que temos agora é carbono&#8230;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Tradução do artigo &#8220;<a href="http://www.spiked-online.com/index.php/site/article/4862/">The seven deadly personality disorders</a>&#8221; de Frank Furedi, publicado na <em>spiked</em> em 12 de março de 2008.</p>
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		<title>Curso de Caligrafia Artística Carolíngia</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Apr 2008 18:52:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric</dc:creator>
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		<title>Além da própria escrita &#8211; III</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Oct 2007 13:32:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gravar com surpresa a luz sobre a pele
Grafar os farelos, as sombras deixadas
Cravar por aqui, por ali, iminentes mensagens.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Gravar com surpresa a luz sobre a pele<br />
Grafar os farelos, as sombras deixadas<br />
Cravar por aqui, por ali, iminentes mensagens.</p>
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		<title>Além da própria escrita &#8211; II</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Sep 2007 14:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gravar o fugaz em tudo e adiante
Grafar comedido a vida estancada
Cravar o que foi, na incerteza, um passeio por mim.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Gravar o fugaz em tudo e adiante<br />
Grafar comedido a vida estancada<br />
Cravar o que foi, na incerteza, um passeio por mim.</p>
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		<title>Além da própria escrita &#8211; I</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2007 01:16:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gravar na matéria os gestos da alma
Grafar em silêncio miúdos poemas
Cravar na memória a vida toda e além.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Gravar na matéria os gestos da alma<br />
Grafar em silêncio miúdos poemas<br />
Cravar na memória a vida toda e além.</p>
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		<title>Thinking Blogger Awards</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2007 17:35:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Hanah, em seu Sobretudo, indicou este como um dos cinco blogs que a fazem pensar.
Obrigado, Hanah!
A iniciativa de nomear &#8220;cinco blogs que me fazem pensar&#8221; foi de Ilker Yoldas, em seu The Thinking Blog. Todo blog indicado pode indicar mais cinco e assim chega a nossa vez:

Frank Furedi
PostSecret, de Frank Warren
Contemporânea Carla Rodrigues
Savores de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.amalgamar.com.br/wp/wp-content/uploads/thinkingbloggerpf8.jpg" width="120" height="40" alt="Thinking blogger award" /> Hanah, em seu <a href="http://alfazenite.blogspot.com/2007/05/ii-thinking-blogger.html">Sobretudo</a>, indicou este como um dos cinco blogs que a fazem pensar.<br />
Obrigado, Hanah!</p>
<p>A iniciativa de nomear &#8220;cinco blogs que me fazem pensar&#8221; foi de Ilker Yoldas, em seu <a href="http://www.thethinkingblog.com/2007/02/thinking-blogger-awards_11.html">The Thinking Blog</a>. Todo blog indicado pode indicar mais cinco e assim chega a nossa vez:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.frankfuredi.com/">Frank Furedi</a></li>
<li><a href="http://postsecret.blogspot.com/">PostSecret</a>, de Frank Warren</li>
<li><del datetime="2007-08-09T20:26:08+00:00">Contemporânea</del> <a href="http://www.carlarodrigues.com.br/">Carla Rodrigues</a></li>
<li><a href="http://savoresdesiempre.blogspot.com/">Savores de Siempre</a>, por Sarah, Tata e Estelle</li>
<li><a href="http://linhadecabotagem.blogspot.com/">Linha de Cabotagem</a>, por Helena Monteiro</li>
</ul>
]]></content:encoded>
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		<title>Somos todos Bebezões</title>
		<link>http://www.amalgamar.com.br/blog/2006/11/somos-todos-bebezoes/</link>
		<comments>http://www.amalgamar.com.br/blog/2006/11/somos-todos-bebezoes/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Nov 2006 13:47:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Bombardeados por regras tolas, conselhos &#8220;ditatoriais&#8221; e fofocas de celebridades esquecemos como ser adultos. É tempo de crescer, diz Michael Bywater.
Eu me imagino ser um adulto, como, presumivelmente, você. Você pensa que, por ter ultrapassado a puberdade e desenvolvido características sexuais secundárias, obtido qualificações e aberto conta num banco, ter se submetido ao escrutínio das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bombardeados por regras tolas, conselhos &#8220;ditatoriais&#8221; e fofocas de celebridades esquecemos como ser adultos. É tempo de crescer, diz Michael Bywater.</strong></p>
<p>Eu me imagino ser um adulto, como, presumivelmente, você. Você pensa que, por ter ultrapassado a puberdade e desenvolvido características sexuais secundárias, obtido qualificações e aberto conta num banco, ter se submetido ao escrutínio das leis anti-terrorismo e das leis anti-lavagem de dinheiro e ter aprendido a dirigir, conseguido um emprego e talvez uma esposa e, quem sabe, filhos, e certamente por pagar seus impostos, você pensa ser um adulto.</p>
<p>Por vezes, as coisas o atingem de maneira um pouco estranha. Causa estranheza, por exemplo, sair de uma aeronave e atingir o saguão do aeroporto Heathrow em Londres, e ver, pelo menos, 93 cartazes avisando-o de coisas que não fez ou que não lhe ocorreu fazer.</p>
<p>O fato básico é que você está sendo tratado como um bebê. Você, eu, todos nós estamos na fila de uma campanha de infantilização: nossos gostos, nossas respostas, nosso comportamento, nossos pensamentos pessoais, nossas decisões, nossos hábitos de consumo, nossas filosofias, nossas sensibilidades políticas.</p>
<p>Somos ensinados como pensar. Somos ensinados como fazer. Somos distraídos com cores e movimentos, protegidos, alimentados, nossas respostas são antecipadas e nossa autonomia debilitada por um conteúdo fino, rico, fortemente embasado.</p>
<p>Eis uma simples lista do que está implícito sobre as afirmações feitas sobre todos nós:</p>
<ul>
<li>Somos incapazes de controlar nossos apetites;</li>
<li>Não podemos adiar gratificações;</li>
<li>Temos pouco sentido do eu, e o que temos é deformado;</li>
<li>Não temos uma flexibilidade interior;</li>
<li>Somos pré ou sub-letrados;</li>
<li>Somos egocêntricos;</li>
<li>Não temos habilidade para exercer autonomia responsável;</li>
<li>Exigimos constante supervisão e constante controle;</li>
<li>Somos potencialmente, senão efetivamente, violentos;</li>
<li>Não temos sensibilidades sociais além das tribais;</li>
<li>Não temos discernimento.</li>
</ul>
<p>Ainda queremos concordar com isso? Ainda queremos ser bebezões?<br />
<span id="more-795"></span><br />
Meu avô nasceu em 1888 e não tinha um estilo de vida. Ele não necessitava ter um. Ele tinha uma vida.</p>
<p>Ele tinha um chapéu, um carro, uma esposa e dois filhos, um mordomo, uma empregada e uma babá para as crianças, e o mordomo tinha um cachorro e o cachorro tinha uma úlcera e vivia em um canil.</p>
<p>Meu avô lia principalmente Charles Dickens. Por vezes saia de férias. Sua casa era mobiliada com móveis.</p>
<p>Nela havia algumas coisas exóticas, trazidas de lugares exóticos. As coisas mais exóticas eram entalhes africanos e utensílios de cobre de Benares. Os entalhes africanos foram trazidos de uma guerra, possivelmente da dos Boer.</p>
<p>Os utensílios de cobre foram trazidos de Benares por um amigo de meu avô, Dr. Chand, seu vizinho, um brâmane de Benares.</p>
<p>Dr. Chand também não tinha um estilo de vida. Na época, ninguém tinha um estilo de vida, pois não havia ninguém para dizer isso e, de qualquer forma, eles estavam muito ocupados com suas vidas.</p>
<p>Eram adultos. Eles se ocupavam de seus trabalhos. No caso de meu avô, era visitar pacientes e torná-los melhor, sempre que possível. No caso do Dr. Chand, ocorria o mesmo, pois ele também era um médico.</p>
<p>Suspeito de que a vida de meu avô era real num sentido que a do meu pai quase não foi e a minha não é de modo algum.</p>
<p>A diferença crucial é a falta de auto-consciência de meu avô, e que a auto-consciência é uma marca registrada dos perpétuos adolescentes, infantilizados que nos tornamos, monstros de introspecção pairando contraídos no limite da auto-obsessão, ocasionalmente conscientes de que a vida, que existe apenas para ser examinada, é quase administrável; quase, na verdade, uma vida.</p>
<p>É uma preparação para uma vida. A vida consistentemente introspectiva de um Bebezão é tão simulacro como a vida no Big Brother.</p>
<p>Para manter esse simulacro precisamos de ajuda. E precisamos dessa ajuda, pois ela está disponível.</p>
<p>É o velho paradoxo. Precisamos de diversão em nossas vidas fragmentadas e solitárias, pois as distrações disponíveis tornaram nossas vidas fragmentadas e solitárias.</p>
<p>E precisamos de conselhos de estilo de vida em revistas e web sites e suplementos de jornais e consultores de saúde e personal trainers exatamente porque somos importunados durante todo o tempo por revistas e web sites e suplementos de jornais e consultores de saúde e personal trainers&#8230;</p>
<p>Se uma das marcas da vida adulta é a autonomia, então um dos requisitos da autonomia é ser deixado sozinho.</p>
<p>Meu avô não era importunado. Uma vez que completou 21 anos, ele era um homem, um adulto, e ninguém o atormentava com oportunidades que estava perdendo, misérias que não conhecia, aspirações, inadequações.</p>
<p>Ninguém o dizia como ser bom de cama, dava dicas de beleza, o que seu carro dizia dele, o que deveria comer, quanto deveria beber, o que sua casa dizia a seu respeito, quanto os utensílios de cobre de Benares podiam ser exagerados, onde deveria ir nas férias, quais produtos sazonais seriam da moda, como seus ternos deveriam parecer.</p>
<p>Ele sabia algumas dessas coisas, e não se importava com outras, pois ninguém lhe chamava a atenção. Ele sabia como seus ternos deveriam parecer: calças, paletó, colete, todos feitos do mesmo tecido.</p>
<p>Ele sabia sobre beleza: barbeava-se. Ele sabia o que deveria comer: café da manhã, almoço, jantar. Ele provavelmente não tinha idéia de que &#8220;bom de cama&#8221; se quer existia, ou de que o mobiliário fizesse algo além de mobiliar, ou de que onde fosse nas férias tivesse qualquer significado, ou de que seu carro não dissesse nada sobre ele, exceto &#8220;Oh, lá vem o Dr. Bywater, reconheço seu carro&#8221;.</p>
<p>Mas os Bebezões não têm tal autonomia e discutem até a morte; nem aprenderam o truque adulto de simplesmente ignorar falatórios. Ao invés disso, o Bebezão tenta concordar.</p>
<p>Acreditando, quando dizem para ele que é infeliz, ele também acredita que a cura advêm dos falatórios que lhe oferecem.</p>
<p>A casa, o mobiliário, o carro, as férias exóticas, os novos vinhos a experimentar, a lula e os vermes e a porcaria estrangeira cozida em geléia com molho sob a carne, vegetais especiais como algas ou tumores, melhor seria se fossem jogados fora; lugares desconfortáveis para ir, maneiras desconfortáveis de chegar lá (&#8220;Viaje pela Amazônia nas costas de uma Anaconda&#8221;), o sexo desconfortável e desanimado (&#8220;Temos que praticar sodomia?&#8221;), a vida desconfortável e desanimada, fundada no crédito, construída no débito, Carol Vorderman sorrindo enquanto o corretor de imóveis entra e o Oficial de Justiça se prepara para uma outra ação judicial.</p>
<p>E é todo um mundo de faz-de-conta, um conjunto de símbolos de status notáveis apenas por simbolizar o status de alguém&#8230; exceto que quando há apenas status para o Bebezão na Era da Diversão, então os nossos símbolos são o nosso status.</p>
<p>Vivemos em uma dieta de sombras e apenas podemos imitá-las, cercados num chiqueirinho esperando ser distraídos.</p>
<p>Realmente, é complicado ser um adulto. A grande novidade sobre ser um Bebezão é que é tão fácil e tão recompensador, e todo mundo pode simplesmente ser deixado de lado.</p>
<p>Uma vez que se tenha abraçado os &#8220;ismos&#8221; que caracterizam o credo de modernidade do Bebezão &#8212; individualismo, relativismo, voluntarismo &#8212; e ultrapassada a barulhenta e decantada infância auto-validada que inevitavelmente se segue, então estamos além da crítica.</p>
<p>Qualquer um que diga de maneira diferente simplesmente não nos entende, e além disso, está absolutamente errado.</p>
<p>Ser adulto não é algo nada confortável. Apenas por um momento, vamos examinar a questão e dizer que uma das qualidades do ser adulto é o que os romanos chamavam discrimen e o que talvez pudéssemos chamar de &#8220;discernimento&#8221;, embora o conceito não o cubra inteiramente.</p>
<p>Discrimen é a habilidade de julgar uma situação e tomar uma ação correta sem ser desviado por considerações periféricas. Os marinheiros o chamariam de &#8220;marinheiraria&#8221;.</p>
<p>Os cirurgiões falam de determinação. Em todos os casos, o discrimen é saber o que fazer nas circunstâncias, mesmo se não houver garantia de sucesso. Mas se o discrimen é uma virtude cardinal do adulto, os princípios do infantilismo operam contra. O discrimen exige o julgamento correto; mas a idéia de algo &#8220;correto&#8221; está em profundo conflito com o individualismo (que diz que eu somente posso dizer que o julgamento esteja correto para mim).</p>
<p>Está em conflito com o relativismo (que diz que os outros podem ter idéias diferentes, que são certas para eles) e com o voluntarismo (que diz que aquelas idéias diferentes são tão válidas quanto as minhas, porque também foram escolhidas).</p>
<p>A infantilidade, prolongada indefinidamente, é também o prolongamento indefinido de uma (falsa) promessa.</p>
<p>Nunca é tarde demais&#8230; nunca é tarde para se agitar, cadavericamente, no palco, cantando &#8220;Can’t get no satisfaction&#8221; (Não se tem satisfação).</p>
<p>Nunca é tarde demais para se livrar da antiga esposa e encontrar uma nova. Nunca é tarde demais para cometer o grande assassinato, para atingir os objetivos, para encontrar os sapatos perfeitos, para se conseguir o &#8220;tanquinho&#8221; perfeito, o modo de andar, a compleição, a bunda, os peitos ou as coxas. Nunca é tarde demais para se conseguir o pênis perfeito, ereto com um Viagra lucrativamente obtido pelo correio, nunca é tarde demais para dar a ela o orgasmo perfeito, conseguir a casa perfeita, com a mobília perfeita, tirar as férias perfeitas, dirigir o carro perfeito&#8230;</p>
<p>Como o corpo decai inevitavelmente (a mente já foi faz tempo, é claro; mas quem precisa dela?), a perpétua infantilidade brilha sobre o reumatismo, as dores, os rangidos e a flacidez. Enquanto as oportunidades diminuem, a infantilidade perpétua nos oferece a ilusão, em termos simples, com um &#8220;pegue e misture&#8221; de espiritualidade, auto-desenvolvimento, anjos e deusas, diversão e aspirações.</p>
<p>Enquanto o tempo se esgota, aquinhoando sua fração irreversível, a infantilidade perpétua nos oferece&#8230; o relógio perfeito: à prova de choque, à prova d’água, anti-magnético, um movimento perpétuo que fala tudo sobre nós exceto a única verdade intolerável: a de que já o tivemos e que caminhamos para o esquecimento, tic por tac.</p>
<p>Tivemos que desistir enquanto caminhamos, nós os Bebezões. E não fizemos um trabalho satisfatório. Queremos (não queremos?) crescer. Como? Aqui está a resposta simples: observe cuidadosamente, pergunte o porquê, e observe suas maneiras. É simples assim. Como seria o mundo se todos fizessem isso?</p>
<p>Ele seria adulto.</p>
<p><strong>Como ser um adulto</strong></p>
<p><strong>Não se sinta ofendido</strong>. Estar ofendido (ou ofender-se, ou reclamar de &#8220;inadequação&#8221;) não é uma resposta adulta. Apenas as crianças acreditam que o mundo deve se conformar ao seu modo de vê-lo; uma espécie de pensamento mágico que apenas pode levar à guerra, ao terrorismo, aos débitos a curto prazo não administráveis e à aliança Blair/Bush.</p>
<p><strong>Desconfie</strong> de qualquer coisa cativante, como o Eixo do Mal, slogans de advertência ou slogans políticos. A atratividade existe para evitar pensar e para disfarçar os motivos. Adultos podem pensar por si mesmos.</p>
<p><strong>Ignore celebridades</strong>, exceto quando estiverem fazendo aquilo pelo que são cultuadas: atuar, jogar futebol, etc. A habilidade não confere discernimento moral, político ou intelectual. (Exceto no caso de escritores. Escritores sabem tudo e podem ensiná-los impunemente.) Se uma celebridade não for cultuada por fazer algo, mas apenas por ser uma celebridade, sorria polidamente, mas não dê nenhuma atenção.</p>
<p><strong>Não devemos</strong> assumir que as forças do mercado irão decidir de maneira sábia. O mercado é manipulador e infantilizador.</p>
<p><strong>Considere</strong> as suas próprias motivações. Podemos reclamar por sermos tratados como crianças, mandados, mantidos longe da verdade, pajeados e explorados&#8230; mas não concordamos com isso? Não pode a recompensa ser realmente a própria infantilização?</p>
<p><strong>Autonomia</strong> é a marca primária do ser adulto. Bebês, crianças e adolescentes não têm autonomia. Não queremos estar no mesmo barco.</p>
<p><strong>Suspeite da administração</strong>. O seu objetivo é liberar a organização de fazer o que deve ser feito: mas o triunfo dos administradores &#8212; advogados, contadores, administradores profissionais &#8212; significa que inúmeras organizações agora acreditam que o que eles têm a fazer é administrar a si próprios. Essa é uma atitude profundamente infantil.</p>
<p><strong>Não</strong> se ame incondicionalmente. Esse tipo de amor é para bebês e provém de suas mães. Ignore a moda, especialmente nas roupas. Você não precisa parecer um adolescente para sempre.</p>
<p><strong>Nunca</strong> faça negócios com uma empresa que ofereça &#8220;soluções&#8221;, como &#8220;soluções de mobiliário ergonômico que minimizam o estresse postural associado ao sentar&#8221; (cadeiras) e &#8220;soluções enviadas pelo correio&#8221; (envelope comercial). A palavra &#8220;soluções&#8221; sugere que temos um problema, mas como somos adultos, isso fica para nós decidirmos.</p>
<p><strong>Denuncie</strong> o relativismo em todos os momentos. Gritar &#8220;injustiça&#8221; é infantil. Exigir respeito sem merecer é infantil. Não tenha medo da seriedade. Os bebês não são autorizados a serem sérios.</p>
<p><strong>Observe</strong> a sua linguagem. Há mesmo muita diferença entre a linguagem de uma criança de seis anos com uma peruca assustadora e as galochas de seu pai, gritando &#8220;Eu sou o poderoso&#8221; e a de um pretenso adulto exigindo ser chamado de o &#8220;Respeitado Czar de Tony Blair&#8221;?</p>
<p><strong>Oculte</strong>. Adultos não devem ser eternamente resposáveis, enquanto os instintos do governo e das grandes empresas, ambos, até mesmo por sua natureza, grandes infantilizadores, têm que manter a atenção sobre todo mundo durante todo o tempo.</p>
<p><strong>Coma</strong>. Não há nada mais infantil do que ter exigências dietéticas.</p>
<p><strong>Nunca</strong> vote e nem faça negócios, ou seja agradável com quem quer que use as palavras &#8220;pessoas comuns&#8221;.</p>
<p><strong>Extraído de &#8220;Big Babies&#8221;, por Michael Bywater, publicado por Granta em 2 de novembro de 2006.</strong></p>
<p>&#8212;</p>
<p>Tradução do artigo &#8220;<a href="http://www.telegraph.co.uk/core/Content/displayPrintable.jhtml?xml=/global/2006/10/22/svbabies22.xml">We’re all big babies</a>&#8220;, publicado em 22/10/2006 no Telegraph.co.uk. O texto foi citado por Carla Rodrigues e Pedro Doria, no site &#8220;no mínimo&#8221;.</p>
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		<title>Você, eu</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Oct 2006 03:05:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para v.
E uma vez mais, pontualmente, desperto. A escuridão me envolve, apesar dos olhos abertos. O breu turva a visão das paredes e a consciência semidesperta. Outra madrugada enfadonha a me impor escolhas banais: aquietar-me e tentar dormir ou me bater com amarelecidos e corriqueiros desafios.
Abandono-me como de hábito. Escuto sua respiração e me conforto: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para v.</p>
<p>E uma vez mais, pontualmente, desperto. A escuridão me envolve, apesar dos olhos abertos. O breu turva a visão das paredes e a consciência semidesperta. Outra madrugada enfadonha a me impor escolhas banais: aquietar-me e tentar dormir ou me bater com amarelecidos e corriqueiros desafios.</p>
<p>Abandono-me como de hábito. Escuto sua respiração e me conforto: ao menos alguém dorme. Busco-lhe a silhueta, frustra-me a escuridão. Ajeito o corpo vagarosamente. A experiência insone me assegura: será longa e monótona a vigília à espera da alva tranqüilizadora e de suas luzes. Sorrateiro, tento buscá-las em meu interior. Sua respiração, no entanto, insiste em me manter aqui, atento, velando-lhe o sono. Um desafinado campanário soa. Imagino o outeiro vazio, recortado apenas pela estridência do vento: é a matinta-pereira a prantear seu isolamento. Rio-me das associações, a me confrontar com os medos da infância. Em paralelo, resta você, eu&#8230;</p>
<p>Subitamente me acode: qual partícula, qual vocábulo, qual palavra nos liga? O que nos une? Assombro! Busco essa ligação de maneira incerta, temerosa. Começo por arriscar: eu portanto você! Assimilados mutuamente, afastados de todos: conseqüência lógica, irrefutável, efetiva. Mas, pelo exame do vivido em comum, esta é uma verdade parcial, acredito. Neste momento autorizo-me, então, a conjecturar eu e você: existimos sem causa-efeito, como elementos de uma soma, de uma adição. No quotidiano biográfico, quiçá por vezes. Insatisfeito, não esmoreço e insisto: quem sabe eu ou você? A exclusão simplista me tumultua e estremeço. Acelero e angustiado me atrevo: eu sem você. Impossível, inverossímil. O que eu faria; como viveria? Narciso sempre busca espelhos! Arquejante e exasperado finalmente desacato: você sem mim. Inadmissível: simplesmente não concebo. Ou melhor, minha robusta vaidade não o permite!</p>
<p>O suor encharca meu rosto, meus olhos. De novo, ajeito desapressado o corpo. Na solidão ruidosa dos pensamentos, um só desejo: acomodar-me, apaziguar a turbulência da madrugada. Amanhã, seu frescor irá me acolher uma vez mais e isso basta.</p>
<p>Desentoadamente, o campanário volta a tocar.</p>
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		<title>PostSecret</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2006 18:07:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saiu no domingo, dia 17 de setembro, na capa do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo:

A ilustração acompanhava uma matéria sobre o PostSecret, blog do sociólogo americano Frank Warren que já recebeu dezenas de milhares de cartões postais ilustrados com segredos anônimos.
O brasileiro em silêncio sou eu e o cartão saiu do Brasil sim. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saiu no domingo, dia 17 de setembro, na capa do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo:</p>
<div class="photo"><a href="http://postsecret.blogspot.com/"><img alt="PostSecret" src="http://amalgamar.f2o.org/blog/imagens/postsecret.gif" width="425" height="343" /></a></div>
<p>A ilustração acompanhava uma matéria sobre o <a href="http://postsecret.blogspot.com/">PostSecret</a>, blog do sociólogo americano Frank Warren que já recebeu dezenas de milhares de cartões postais ilustrados com segredos anônimos.</p>
<p>O brasileiro em silêncio sou eu e o cartão saiu do Brasil sim. Eu o escrevi há cerca de um ano e meio atrás, quando o PostSecret recebia os primeiros destaques. Fiquei agradavelmente surpreso ao revê-lo e mais ainda ao ler que, dos cartões saídos daqui, Warren se lembra &#8220;especialmente&#8221; deste. O cartão está inclusive no seu livro, <em>PostSecret: extraordinary confessions from ordinary lives</em>, publicado em dezembro de 2005. Lá o cartão aparece grandioso, ocupando duas páginas.</p>
<p>Quanto ao meu segredo, precisei compartilhá-lo com pelo menos uma pessoa para confirmar minha felicidade e sorte. E, afinal, o que são a felicidade e a sorte?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;La mer en vous comme un cadeau&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Sep 2006 02:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Moacyr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
(Ilustração de Ernst Haeckel, digitalizada por Kurt Stueber)
De todo o mar resta-me a silhueta
de verões desavisados a roubar
a medula da espinha.
Aquecidas memórias, protegidas,
salpicadas, sobreviventes.
De todo o mar resta-me você.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://caliban.mpiz-koeln.mpg.de/~stueber/haeckel/kunstformen/Tafel_053.html"><img alt="Prosobranchia. - Vorderkiemen=Schnecken." src="http://www.amalgamar.com.br/wp/wp-content/uploads/kustformen_der_natur.gif" width="304" height="450" class="centered" /></a></p>
<p class="center"><small>(Ilustração de <a href="http://caliban.mpiz-koeln.mpg.de/~stueber/haeckel/kunstformen/natur.html">Ernst Haeckel</a>, digitalizada por <a href="http://www.kurtstueber.de/">Kurt Stueber</a>)</small></p>
<p>De todo o mar resta-me a silhueta<br />
de verões desavisados a roubar<br />
a medula da espinha.<br />
Aquecidas memórias, protegidas,<br />
salpicadas, sobreviventes.<br />
De todo o mar resta-me você.</p>
]]></content:encoded>
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