Use filtro solar

8 de setembro de 2006

Senhoras e senhores,

Usem filtro solar.

Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: “Usem filtro solar.” Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro foram cientificamente provados. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.

Eis aqui um conselho: Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da sua juventude quando já tiverem desaparecido. Mas, acredite em mim. Dentro de 20 anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram pra você e como você era realmente fabuloso(a). Você não é tão gordo(a) quanto você imagina.

Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você

Sob medida

5 de setembro de 2006

Abandonado, recebi o dom do olhar vazio e o semblante da perplexidade. Desde cedo simulei opacas proximidades, peguei caronas em histórias alheias e me fiz ladrão de intimidades, de frases, de ilusões. Continuo criança fatigada num imenso salão vazio e de sabor morango.

Hiato

31 de agosto de 2006

Não era assim que eu queria dizer
nem da moldura inexistente
nem da opacidade dos gestos
a atestar o fracasso da verdade.

Nem era como eu poderia falar
precedendo interrogações desde o início
fugindo dissimulado de regras,
de réguas, de restos, de remendos.

Nem era sobre isso ou aquilo
nem vociferar preceitos
nem gerar exclamações
antes mesmo que o poema soprasse para o infinito.

Antes enraizar-me no vazio
e despertar arrebatado a desejar-te em meus braços.

Entrelinhas

29 de agosto de 2006

www.picabia.com

Nossa pele é colorida para que nosso coração abrigue multiplicidades.
Nosso sexo tem pêlos para que nosso desejo possa se fazer cálido.
Nosso cotidiano comporta infortúnios para que nossa alma se revigore.

Recado

28 de agosto de 2006

Feitos contam menos que escolhas.

Voltando no tempo

17 de agosto de 2006

Como o povo da Beira Baixa de Portugal costuma cantar o amor…

A Padeirinha

Ó que lindos olhos
Tem a padeirinha

São mal empregados
Andar

Tributo a Apollinaire

17 de agosto de 2006

Céleres os dias como águas sob as pontes.
O mar, porém, coleciona
o rumor de meus passos
desde a Pont Mirabeau.

Escrita e desenho – I

9 de agosto de 2006

Uma expectativa formigante lambe meus olhos e me obriga a reinventar paisagens. Os dias me cortejam desassossegados entre o grafite e as palavras. Na memória, busco faminto a amplidão de tua voz e marco com intolerância a silhueta de horizontes vazios. Não peçam moderação a quem espera.

A Escrita

2 de agosto de 2006

Estamos em uma época de grande virada na história. Avanços em microeletrônica, processamento de informações e comunicações estão anunciando uma nova era, não apenas na tecnologia, mas em todas as áreas da vida — arte e cultura, relações humanas e educação, economia e estilo de vida, percepção e cosmologia. O computador pessoal mudou radicalmente nosso modo de pensar e utilizar a informação, como agimos e como interagimos. Até mesmo produtos relativamente simples como a secretária eletrônica, o videocassete e o forno de microondas alteraram nossa percepção do tempo, nossas expectativas e nossas vidas diárias. Produtos mais sofisticados como os telefones celulares, CDs, câmeras de vídeo portáteis e máquinas fotográficas digitais têm e continuarão tendo um impacto ainda mais profundo sobre o significado do ser humano.

Esta revolução é, para muitos, um motivo de preocupação. Existem benefícios óbvios, mas mudanças tão profundas também terão conseqüências imprevisíveis. Ao tentarmos entender esta “idade eletrônica”, o exemplo de uma geração anterior, que se confrontou com questões similares em tipo e magnitude, pode servir como guia. Há cerca de um século atrás, um grupo de invenções, incluindo a máquina de escrever, o automóvel, a luz elétrica e o fonógrafo, anunciavam a “idade mecânica”. Inúmeros pensadores — entre eles, Rudolf Steiner (1861-1925), John Ruskin (1819-1900) e William Morris (1834-1896) — estavam preocupados com os efeitos, a curto e longo prazo, desta revolução nas ferramentas e técnicas de produção.

Máquinas são capazes de replicar um produto com grande precisão, mas funcionam melhor com projetos baseados na linha reta, no ângulo reto e na simetria rígida. Linhas e ângulos retos conferem precisão a um produto, mas retiram uma qualidade dinâmica e viva. Para Steiner e para outros, confrontados com a qualidade fixa e rígida dos produtos feitos

Life technique ou o que há por trás de tudo

29 de julho de 2006

Quando o sol foi nascendo, raivosamente contei logo o que tinha havido. Dos detalhes sórdidos